Movimentos docentes diante do avanço de políticas neoliberais: questões ‘práticoteóricas’ das pesquisas com os cotidianos
Resumo
O presente artigo tem como objetivo discutir os avanços das políticas neoliberais que, nas últimas décadas, têm impactado diretamente diversos âmbitos da sociedade, inclusive a educação. O capital privado tem entrado fortemente na administração da educação pública, afetando os processos de ‘aprendizagemensino’ e o ‘fazersaber’ docente. Nesse contexto, discutindo tal interferência a partir das pesquisas com os cotidianos dialogando com autores como Certeau (2012), Alves (2019) e outros, o texto apresenta três movimentos organizados por docentes brasileiros nos últimos anos, sendo um a nível federal e dois a nível municipal (Rio de Janeiro e São Gonçalo), que buscam fazer frente à retirada de direitos trabalhistas, à pressão pelo alcance de metas relacionadas a desempenho estudantil, ao aumento das demandas burocrática e administrativa em detrimento das práticas pedagógicas, à política de controle do exercício docente etc. Tais movimentos, embora não necessariamente vitoriosos em todas as suas reivindicações, revelam que é nos cotidianos, tanto das escolas como dos movimentos sociais, onde se criam práticas possibilitadoras de novas realidades. O texto discute, ainda, a importância de instituições, a exemplo dos sindicatos, dialogarem mais com os/as docentes que são/estão cotidianamente impactados/as pelos avanços dessas políticas neoliberais, produzindo coletivamente muitas formas de luta social. Enfatizando a complexidade dos movimentos sociais, entendidos como tessituras que se dão nos subterrâneos para, então, ganharem força em momentos imprevisíveis, o artigo defende que, independente de seu resultado, as experiências vividas nos movimentos grevistas produzem memórias e ‘conhecimentossignificações’ que serão oportunamente mobilizados nos próprios cotidianos escolares.
ARK: https://id.caicyt.gov.ar/ark:/s24084573/ymda5tucc
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